Para quem gosta de um bom filme, já resolveu algumas questões da cena ao se colocar no lugar do outro. Já aconteceu com você? Usamos aquela frase: “se eu estivesse no seu lugar, faria…” Minha pergunta é: faria mesmo? A cena se revela conforme a história, crenças e experiências de cada um, mas a dinâmica é muito válida.
Dentro da mediação existe uma técnica que se chama inversão de papeis. Em um determinado momento o mediador percebe que pode usar esta técnica e pede para que invertam os papeis. Descrevendo o cenário da questão que estamos falando, o que você faria se estivesse no lugar dele? O interessante aqui é conseguir preservar o cenário com o olhar do outro. A inversão de papeis pode clarear consideravelmente a minha própria forma de ver ou de agir em relação a uma proposta, uma condição, etc.
Deveríamos utilizar esta técnica no nosso dia a dia. Sim, vamos experimentar! A começar dentro das nossas casas. É muito simples e fácil eu sinalizar a atitude ideal que um familiar deve seguir, mas se eu me esforçar e inverter os papéis, agiria como eu havia pensado no início? Faça o teste!
A inversão de papeis nos faz passear com os sapatos dos outros. É ali que exercitamos a forma de pensar do outro e os impedimentos que levam a não compreender o que eu quero falar. O grande benefício da inversão de papéis é chegar a um ponto comum. Um ponto que ambos conseguem visualizar e agir. Chegar a este ponto é fundamental para ajustes mútuos.
Onde há relações, há ajustes mútuos. Eis a riqueza de caminhar pelos olhos dos outros. Além de entender o que eu não entendia, uso a experiência para melhorar a minha própria forma de falar, de agir e de me relacionar com os outros.